As 10 startups brasileiras que mais se destacaram em 2018

Startups nacionais estão recebendo mais atenção a cada ano e, com a ajuda de investidores, aceleradoras e incubadoras, o cenário vem se abrindo aos novos empreendedores

 

Empreender no Brasil não é fácil, ainda mais se o negócio nasceu há pouco tempo. Entretanto, as startups nacionais estão recebendo mais atenção a cada ano e, com a ajuda de investidores, aceleradoras e incubadoras, o cenário vem se abrindo aos novos empreendedores. Em 2018, seis empresas iniciantes conseguiram se firmar como unicórnios, termo utilizado para se referir às startups que alcançam valor de mercado avaliado em, pelo menos, US$ 1 bilhão. Seja no setor financeiro, de educação ou transporte urbano, o cenário para as novas empresas tem se expandido, segundo Rafael Ribeiro, diretor-executivo da Associação Brasileira de Startups (ABStartups): “Empreender no Brasil não é fácil, ainda mais se o negócio nasceu há pouco tempo”.

Veja, a seguir, as dez empresas iniciantes brasileiras que mais receberam destaque durante o ano de 2018:

99

Em janeiro de 2018, a 99 foi comprada pela chinesa DiDi Chuxing, se tornando um unicórnio (Imagem: Reprodução / Twitter)

99 foi o primeiro unicórnio verde-e-amarelo, ainda em janeiro de 2018. Criada pelos colegas formados pela Politécnica da USP Ariel Lambrecht e Renato Freitas em 2012, quando ainda era conhecida como 99Taxi, a startup nasceu a partir de uma vaquinha de baixo orçamento — cada sócio investia R$ 1.000 por mês na empreitada — e chegou com a missão de facilitar os serviços de taxi já existentes no país, mas foi muito além, principalmente após a chegada da rival Uber em solo nacional.

Em março de 2017, a chinesa DiDi Chuxing, também atuante no mercado de mobilidade urbana, injetou US$ 100 milhões na 99. Um ano depois, comprou fatias avaliadas em cerca de US$ 1 bilhão, que eram detidas por investidores como o Qualcomm Ventures e o SoftBank, entre outros, tornando a startup o primeiro unicórnio do Brasil.

Nubank

Nubank desburocratizou o modelo de instituição bancária e se tornou referência para as fintechs (Imagem: Divulgação / Nubank)

Ninguém gosta da burocracia excessiva na hora de confiar o suado dinheirinho às instituições bancárias. Os bancos muitas vezes dificultam os processos e movimentações, presos a modelos de negócios retrógrados que já não atendem às demandas. Para modernizar a prestação de serviços financeiros no Brasil frente à oligarquia bancária surgiu, em 2013, a Nubank, uma fintech que hoje é conhecida por atender à maior cartela de clientes fora da Ásia.

Em março de 2018, a startup recebeu sua sexta rodada de investimentos, com aporte de US$ 150 milhões, liderada pelo fundo DST Global, do investidor Yuri Milner. Os fundos — que foram os responsáveis por tornar o Nubank o segundo unicórnio brazuca — estão sendo utilizados para expandir as atividades da empresa, transformando a fintech dos cartões roxos num banco digital completo para seus mais de 3 milhões de clientes.

 

Arco Educação

Ari de Sá Neto, na Nasdaq, comemora sucesso da IPO da Arco Educação (Imagem: Divulgação / Facebook)

A Família de Sá fundou a empresa em 2004 para atender à demanda do sistema de ensino particular no Ceará. Dez anos depois, a General Atlantic entrou em sociedade com a Arco Educação, detendo um quarto do capital e possibilitando a expansão dos serviços de educação cearences para o resto do território nacional. Hoje, a startup atende a 5% do mercado brasileiro de ensino fundamental e médio privado. Mas os planos iniciais da família de Sá eram ainda mais ambiciosos: lançar a oferta inicial pública da Arco Educação nas Bolsas de Valores dos EUA. Em setembro de 2018, a empresa se lançou na Nasdaq e captou US$ 220 milhões, se tornando o terceiro unicórnio do Brasil após as avaliações apontarem valor de mercado de US$ 1,18 bilhão.

 

Stone

A Stone também levou seu IPO para a Nasdaq e conseguiu cobrar US$ 24 por ação (Imagem: Divulgação / Stone)

A Stone foi fundada em 2013 e contou com acionistas de grande peso desde o início, como o fundo britânico Actis e a Madrone Capital Partners, entre outros. Em outubro, a Stone seguiu os passos da Arco Educação e também se lançou na estadunidense Nasdaq, com ações sendo vendidas por US$ 24, valor que superava as mais otimistas previsões e que chamou atenção de investidores de renome, como Warren Buffett e a Ant Financial, braço do Alibaba e dono do Alipay, uma referência no setor de pagamentos.

Apesar de seu IPO ter ocorrido em um momento tumultuado — na véspera da estreia, a bolsa experimentou a pior queda diária em sete anos, de 4,43%, a empresa acabou captando US$ 1,2 bilhão e se tornou o quarto unicórnio brasileiro, sendo cotada no mercado por US$ 6,7 bilhões.

 

Movile

Conquistar e expandir são as principais estratégias de mercado da Movile (Imagem: Divulgação / Movile)

Quando a Movile começou, em 1998, o serviço ofertado era a automatização de mensagens de celular para bancos, companhias aéreas, entre outros setores. Dez anos depois, já transferida de Campinas para a capital paulista, outros negócios foram adquiridos pela Movile. Segundo o que conta Fabrício Bloisi, fundador da startup, de 2008 a 2018 a empresa cresceu 300 vezes e saltou de 40 funcionários para mais de 2.300.

A expansão se deu porque Bloisi previu que os celulares modificariam as relações de consumo, inclusive no âmbito da alimentação. Então um aplicativo de entregas de comida em domicílio foi criado em 2013, reunindo apenas dez funcionários em um prédio de Jundiaí, na região da Grande São Paulo. Essa startup é, atualmente, conhecida como iFoode faz 12 milhões de entregas por mês, representando metade do faturamento da Movile.

Fabrício Bloisi, além de fundador, também é investidor e desembolsou, em novembro de 2018, cerca de US$ 500 milhões para aumentar sua participação acionária no iFood. Questionado se isso faria da startup um unicórnio, Bloisi declara: “Tanto a Movile como o iFood ultrapassaram a marca do US$ 1 bilhão em março de 2017, mas naquele momento preferimos não anunciar”. Modéstia? Não é o caso. Ele continua: “Não é legal ficar disputando o sonho de valer 1 bilhão de dólares, pois dá para fazer muito mais. O Brasil pode ter várias empresas de mais de 10 bilhões de dólares”, incentiva Bloisi.

 

iFood

Com o maior aporte já recebido por uma empresa de tecnologia na América Latina, o iFood está presente em 483 cidades brasileiras (Imagem: Divulgação / iFood)

O aporte de US$ 500 milhões feito por Fabrício Bloisi foi o maior investimento privado já feito em uma empresa de tecnologia da América Latina. Se a empresa terminou o ano de 2017 com 63 mil entregadores parceiros, agora dispõe de cerca de 120 mil, sendo que a meta é duplicar essa quantia, além de fazer negócios com três vezes mais estabelecimentos do que os 50 mil restaurantes atendidos atualmente — em 2017, eram apenas 27 mil. Os planos também incluem cobrir 1.000 cidades brasileiras — sendo que o serviço já está disponível em 483 diferentes municípios.

Mas o viés disruptivo que trouxe Fabrício Bloisi à compreensão da demanda que o delivery teria hoje em dia continua firme e forte na gestão da startup: o iFood deseja investir agora em Inteligência Artificial, uma das áreas inovadoras que com certeza receberá destaque nos próximos anos. O intuito é utilizar algoritmos para sugerir menus aos usuários antes mesmo de eles saberem o que desejam comer, assim como implantar o comando de voz na plataforma, melhorando também a acessibilidade do serviço prestado.

 

Loggi

A Loggi surgiu com a missão de modernizar a contratação de motoboys (Imagem: Divulgação / Loggi)

Num país com extensão territorial imensa como o Brasil, serviços de logística são imprescindíveis, especialmente no que diz respeito a grandes capitais onde o trânsito intenso pode colocar entregas urgentes em atraso e atrapalhar o cotidiano das empresas.

Pensando nessa problemática urbana surgiu a Loggi, em 2013. Com intuito de modernizar a contratação online de motoboys, hoje a startup atua em 30 diferentes cidades, sendo 13 delas capitais. “Hoje, o cliente não consegue comprar com facilidade no e-commerce por conta da logística. O Brasil é um país atrasado, e a experiência do consumidor final nem sempre é colocada em primeiro lugar”, diz Francesco Losurdo, diretor de comércio eletrônico e expansão da Loggi. “Temos como propósito conectar o Brasil, reinventando a logística com a tecnologia. Para isso, combinamos a economia compartilhada e softwares de inteligência”, completa o executivo.

Em outubro de 2018, a SoftBank, administradora do Vision Fund, investiu US$ 100 milhões na Loggi, dinheiro que financiará melhorias em robótica e engenharia, além de ampliar a oferta de serviços já prestados. “Somos uma startup inteiramente voltada para inovação, não temos apenas uma área para isso. Queremos investir na experiência do usuário final, aumentar nossa estrutura e melhorar ainda mais nossa tecnologia e nossos algoritmos”, revela Losurdo.

 

Quinto Andar

Praticidade na hora de alugar um imóvel (Imagem: Divulgação / Quinto Andar)

Alugar um imóvel sempre foi sinônimo de dor de cabeça e burocracia, mas a Quinto Andar veio para simplificar as transações locatícias. Criada em 2015, a startup oferece locações sem a necessidade de fiadores ou cauções para locatários com bons históricos de crédito, com toda documentação necessária podendo ser enviada digitalmente e diminuindo o tempo para se fechar um contrato para apenas três dias.

Em novembro, a Quinto Andar recebeu um aporte série C de R$ 250 milhões, liderado pelo fundo General Atlantic, além contar com investidores como a Qualcomm Ventures. “Estamos mudando a forma como as pessoas vivem, com menos burocracia e mais agilidade, adequando a moradia ao estilo de vida e personalidade de cada um, e isso é apenas o início de uma transformação que impactará o desenho das próprias cidades” diz Gabriel Braga, cofundador e CEO do QuintoAndar. “Nossa escolha pelo General Atlantic foi baseada na grande afinidade de princípios, visão sobre até aonde o QuintoAndar pode chegar e como podemos somar esforços para transformar essa visão em realidade”. Embora a startup não divulgue seu valor de mercado, estima-se que ele seja próximo de R$ 1,1 bilhão.

 

Edools

Personalizando a educação (Imagem: Divulgação / Edools)

Vencedora do prêmio de Startup do Ano de 2018 do Startup Awards, desenvolvido pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups), a Edools é uma empresa carioca que oferta uma plataforma completa para professores montarem cursos online e cobrarem o valor que desejarem de seus alunos pelo acesso ao material, que inclui vídeos, textos, podcasts, entre outros formatos.

Criada em 2013 por Rafael Carvalho, atual CEO, e Bernardo Kircoze, diretor de produto, a Edools foi desenvolvida para oferecer aos educadores uma ferramenta de fácil operação: “Focamos no conceito de descompartimentação, isto é, que a Edools fosse um livro aberto e de fácil manuseio, com um data center concentrando didática, pedagogia, conteúdo, controle financeiro e e-commerce do curso”, explica Rafael Carvalho. Com apenas um ano de história, a Edools participou de sua primeira aceleração, pela 500 Startups, do Vale do Silício, nos EUA. O aporte foi de US$ 100 mil. Em 2016, numa nova aceleração com o Google Launchpad Accelerator, mais um aporte foi feito, somando US$ 50 mil aos cofres da Edools.

As metas para 2019 incluem parcerias com intituições de ensino privadas além de expandir os serviços para outros países da América Latina. “O formato é ideal para complementar a academia, fornecendo oficinas para horas complementares. Nosso usuário fica com mais alunos, a universidade consegue se aprimorar e o estudante tem a vida facilitada. É um modelo que tem margem à expansão”, afirmou Carvalho.

 

Agilize

Contabilidade online completa para empresas é o foco da Agilize (Imagem: Divulgação / Agilize)

Toda empresa em atividade no Brasil precisa contratar serviços de contabilidade, então é de se esperar que o setor seja convidativo às empresas que desejam emplacar soluções inovadoras. Segundo a Serasa Experian, só no primeiro semestre de 2018 quase 1,3 milhão de empresas foram criadas no Brasil, aumentando também a demanda por serviços de contabilidade.

Criada em 2013, a Agilize fornece toda a contabilidade de empresas por meio de uma plataforma online que permite economia na hora de contratar os serviços devido aos menores honorários. “Em um ano geramos uma economia média de R$ 5 mil em honorários para cada um de nossos clientes. E eles têm um serviço completo, com acompanhamento contábil em tempo real pela internet. Desenvolvemos um aplicativo financeiro integrado ao nosso sistema, que é oferecido gratuitamente. Nossos clientes têm todos os dados da empresa na palma da mão, pelo celular “, disse Marlon Freitas, diretor de Marketing da Agilize. Atualmente, a empresa oferece seus serviços em 14 cidades brasileiras, mas os planos para o futuro têm a meta de alcançar 50 diferentes municípios.

Segundo o CEO da empresa, Rafael Caribé, a contabilidade online deve fortificar sua atuação no Brasil: “Completamos cinco anos em 2018 e somos fundadores de um mercado com um potencial gigantesco. Apenas no segmento de serviços nas 50 maiores cidades, são mais de 800 mil empresas no país. Nossa meta é conquistar 10% desse mercado nos próximos cinco anos”, revela Caribé. A empresa foi desenvolvida após intensa pesquisa sobre o modelo de negócios de contabilidade online em países como EUA, Inglaterra e Austrália, sempre com a missão de aliar a tecnologia à contabilidade tradicional, facilitando a vida dos empreendedores nacionais e conectando-os aos profissionais.

Em 2018, a startup abriu mil novas firmas e já possui mais de 4 mil clientes ativos. Mas as metas para 2019 são ainda mais ousadas: atingir 8 mil clientes e um faturamento 120% maior. “A meta é entregar um serviço de contabilidade online de excelência para que nossos clientes tenham “paz de espírito”, além de mais tempo para se concentrar em seus negócios”, declara Caribé.

Fonte: Canaltech

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